24.9.08

A ultima vez. Saudade.

Eu queria falar nele e fiquei meio confusa e sem saber por onde começar. Na verdade, eu tenho vários papéis espalhados pela casa com outras várias coisas escritas dele, e toda vez que a gente se fala, eu lembro de tudo e penso em falar tudo de uma nova forma. Já passou, já foi, faz tempo, não esqueço. Cometemos grandes loucuras juntos lembra? Foram poucas vezes, mas foi bom o suficiente. Claro, eu queria mais, eu sempre quero mais. Sou viciada no excesso me entende? Pra mim, nunca ta bom, sempre quero mais. E eu queria mais dele, mais de tudo aquilo que ele se mostrava pra mim, eu sempre quero mais. Era um dia que eu não consigo lembrar a data. Devia ser, meio dia, meio dia e meia, eu pronta. Lugar marcado? Ok. Com uns trocados amassados peguei o ônibus a caminho, salto, maquiagem, tava arrumada. Me sentindo bem. Cheguei, ele me liga, coração batendo forte, eu sentia meu coração bater. Que foda. Eu consigo sentir meu coração bater. Meu telefone toca, e eu vejo o carro dele se aproximando, e eu sentindo meu coração bater, as mãos suando, tremendo. Shhhh, se acalma. Ele parou perto da calçada, abriu a porta do carro e eu entrei, mtchuc. Beijinho estalado, e logo começamos a conversar, conversando, conversando... Eu nervosa, olhava nos olhos dele, e ele meio louco me olhava enquanto dirigia. Se importa que eu fume? Não. Bem baixinho, mal conseguia responder. Ele acendeu o cigarro, e continuamos conversando. Rodeou um cd ou outro até botar na rádio. "Nada que preste!" Hehe. Aham. Vamos fazer o que? Ah, filme. Locadora, alugamos um filme. Filme, ele, do meu lado. Filme? Ahn? Eu tentava prestar atenção e só conseguia ver ele. Lá estava eu, ele tirou umas fotos de mim, eu sem graça, com vergonha, descabelada. Páraaa! Beijo, e mais beijo, e suor, e mais beijo. Ele arrebentava minha boca de tanta vontade, é assim que eu gosto. Arrebentava, me puxava, me apertava. Lindo. Fofo. Tentava se tranqüilizar, se acalmar, não dava. Mais beijo, ele me puxava pra cima dele. Você é linda! E eu sem resposta, murmurava: Humm. Assim, baixinho. A mão dele, só a mão dele por si só já era linda, e encaixava em cada pedaço do meu corpo. Eu, pequena, sumia, mas amava muito aquilo tudo, aquele homem, aquele beijo, aquele cheiro. Um gosto, que eu nunca tinha sentido. Gostoso, eu pensava, shhh. Não fala isso. Era lindo, me abraçou. Me apertou, me agarrou, de todas as formas. Muito foda. A boca dele era perfeita pra minha, a mão se encaixava no meu corpo. Mas aí, eu tive que ir embora. Vou te levar em casa ta bonequinha? NÃO. Deixa, ta tranqüilo. Foi a ultima vez.

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