22.1.09

Os quinze

Era dia dezenove de Maio de 2005, dia do meu aniversário, eu estava fazendo quinze anos, lindos quinze anos, que toda menina sonha. Toda menina sonha, e quer fazer aquela festa em meio ao glamour do rosa com muito brilho e muitas fotos e glitter, e todo mundo tratando aquela menininha doce que passa da adolescencia pra ser uma mocinha, e aquela parentada toda babando, e mais coisa rosa, branca e fofa com glitter, E ARRRRGHHHH, não, eu tenho pavor absurdo disso. Contrariando muito minha mãe, que queria me dar todo esse bibelô de festa e me tratar como se eu fosse uma Barbie morena ultima estação, eu decidi que queria comemorar meu aniversário no meio da boemia do Rio de Janeiro, a Lapa. Sempre fui muito deslumbrada pela Lapa, sou filha de pai punk, então ele me levava desde os meus dez, onze anos pra ver os shows das milhares bandas que ele já teve naqueles bares e lugares sujos da Lapa, sujos e lindos, porque sempre tive fascínio absurdo por tudo isso. Incrivel, mas a cada visita que eu fazia junto com ele na Lapa, meus olhinhos brilhavam e eu saia de lá como se eu ficasse sem comer por uma semana e me botassem na frente de uns três bigmac's. Conheci muita gente legal na Lapa, indo lá desde os dez anos de idade, já vi tanta coisa, é aquilo, por lá passa de tudo, desde gente normal até o tipo de gente que eu mais gosto: Os diferentes.

Mas voltando ao principal, o dia do meu aniversário de 15 anos foi o mais divertido possivel. Eu, meu salto quinze de acordo com a minha idade, que arrebentava a porra do meu pé todo, mas me deixava grandona, passei ouvindo rap underground, enquanto qualquer menina estaria dançando valsa, eu tava lá, curtindo Planet Asia, De La Soul ... Comecei a lembrar de tudo isso porque minha vizinha, novinha e prestes a fazer quinze anos estava desesperada querendo fazer sua festinha da idade - que "só se faz uma vez na vida e é um grande momento" - toda cheia desses bibelôs, no final das contas, você não curte nada porque passou 90% da sua festa que era pra você ter curtido, tirando foto, falando com gente que as vezes nem o nome você lembra e sorrindo, quando não se aguenta mais sorrir. Fora que, aquela roupa esquenta, nunca vesti, mas eu sei que esquenta.

É ... Acho que quero casar de vestido tubinho.

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