7.10.08

A noite

Olhei pra cima e vi as luzes se enrolando, brilhando em cima da minha cabeça. Olhei pra baixo, vi meus pés, senti neles uma dor, que esqueci em segundos, junto ao gosto do copo. O olhar se cruza, eu não entendo. Se aproxima. Chega a me arrepiar. Um sussurro, não entendo. Quando me dou por conta, é só um. O dois se transformam em um, que se embola, e escorrega no suor e no gosto do bom. Quanta maldade senhora! Então pego meu tridente e cutuco mais ainda aquilo que eu sei que posso provocar. Provocar. Será que eu te provoco? Sem saber eu tento mais, e viajo no teu timbre, e na voz que roça no meu ouvido. Voz essa que roça no meu ouvido que eu não consigo entender o que diz. Pra que entender? Se só de olhar nos olhos eu já sei aquilo que você fala, quer falar ou está pensando. Eu entendo seus olhos. Cor de whisky bom. Aí eu esqueço dos olhos, e a sua boca se movimentando me prende a atenção e me chama, sem dizer, me chama. Esqueço da boca, e lembro de você inteiro. Se eu pudesse, poderia encostar no teu corpo todo de uma vez. Então eu esqueço de tudo, e lembro de você, na minha frente, e esqueço de tudo, não dá pra pensar em mais nada com você tão perto assim.

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